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Twinkle twinkle, little bat

Dark, freaky e surreal. O que mais você esperava?

A espera de dois anos por Alice me fez ficar muito insegura. Como uma fã do Burton, eu confio nele. Mas, desde que a trilha sonora vazou, minha confiança ficou abalada, admito. É bastante infantil ignorar os fatos que foram apresentados até o momento com relação ao filme, por causa de uma mísera trilha sonora, eu sei, mas o que eu poderia fazer?

Quando o trailler saiu, recuperei minha segurança. Um legítimo filme do Tim. A parceria entre ele, Helena Bonham Carter, Johnny Depp e Danny Elfman ainda tem muito o que render.

Mas ontem, às 13:30 da tarde, entrei desconfiada na sala de cinema.

Nos primeiros 20 minutos de filme, tudo parecia muito mais ou menos. A atuação de Mia Wasikowska não parecia lá essas coisas. O draminha do início também não me pareceu muito convincente. Tudo tão inexpressivo… Real.

Aos 19 anos, Alice descobre que será pedida em casamento e então, foge, correndo atrás do Coelho Branco. Foge de sua realidade por não ter coragem para enfrentá-la.

O seu mundo, criado por ela mesma quando era pequena, é seu refúgio.

Mas ao chegar em Wonderland, as coisas começam a mudar.

A história do filme não é a que conhecemos. Novamente, é uma visão de Burton sobre o assunto. Mas os personagens do mundo de baixo, ahh, esses estão incríveis.

O ar de loucura começa, realmente, quando Alice se encontra com Tweedle-Dee e  Tweedle-Dum e é levada à lagarta. Misteriosa, blasé, viciada, como todos os personagens neste filme.

O Chapeleiro, um dos grandes focos aqui, está incrível, como não poderia deixar de ser. Estranho, bipolar, viciado e… humano. Neste papel, Depp resgata algumas características de seus personagens mais marcantes. O andar de Jack Sparrow, a melancolia de Willy Wonka, a doçura de Edward, as caras e bocas de Ed Wood. Para fãs, é fácil  e adorável reconhecê-las.

A Rainha Vermelha, interpretada por Helena Bonham Carter, rouba todas as cenas em que aparece. Reluta em aceitar sua deficiência. Decide ignorá-la para sentir-se melhor e é uma solitária de partir o coração. A caricata Rainha Branca é outro ponto interessante. Analisando-a, encontramos a hipocrisia presente em seus atos, e tão comum às pessoas nos dias de hoje. O gato de Cheshire, a Lebre de Março, o cachorro da Rainha Branca… cada um deles têm seus próprios dramas e dilemas, nunca antes retratados. Em meio a cenários fantásticos e psicodelia, todos os personagens têm seus vestígios de humanidade, sejam humanos, animais ou mobília.

Como um filme do Tim, ressalto que, apesar de ser uma nova adaptação de um clássico, não é nada infantil e seria bastante perturbador para crianças. Como na cena em que Alice vai para o reino da Red Queen, tendo que atravessar uma “ponte” de cabeças, decepadas pela rainha, dentre outras. Abstendo os cenários típicos de Burton, claro.

Eu deveria citar um erro? Bem, acredito que o 3D não tenha sido tão necessário assim, embora garanta um visual incrível nas cenas do Cheshire Cat.

Em minha opinião,  Alice é uma nova obra prima de Tim Burton. É, não foi dessa vez que ele decepcionou.

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